A temporada 2020/21 marca o fim de um jejum de três temporadas da participação das equipas seniores masculinas nas provas nacionais de Futsal.

O Núcleo Sportinguista de Moura somou o primeiro título de campeão distrital e irá ascender ao Campeonato da 2ª Divisão Nacional, quatro temporadas após a última participação que esteve na altura a cargo do SC Ferreirense. Neste interregno de participações tivemos na temporada 2018/19 o CF Vasco Gama como campeão do InterDistrital (apesar de depois no play-off ter sido o NS Moura a conquistar a prova, a AF Évora considerou o emblema da Vila dos Gamas como o melhor colocado), terminando com o projeto na temporada seguinte e nenhum dos restantes três clubes do distrito aceitou o convite para ascender ao nacional. Na temporada 2017/18 o GDC Baronia é campeão, mas anuncia não estarem reunidas as condições para ascender ao patamar nacional com os restantes clubes a não aceitarem a hipótese da prova nacional. Por fim na temporada 2016/17, o Despertar SC é campeão e na temporada seguinte termina com o projeto.

Contudo este momento positivo para o futsal do distrito deverá ser também um momento de reflexão para a Associação, para os clubes e para os atletas, uma vez que o distrito apresenta um dos números mais baixos de clubes e atletas na modalidade, restringindo-se somente ao futsal sénior masculino e feminino, e a três edições do campeonato de juniores masculinos. A exceção neste ponto é o GDC Baronia que ao longo da última década tem vindo a apostar de forma consistente e continuada na formação, participando nas provas da AF Évora.

Urge perceber o porque da modalidade, que nas temporadas 2012/13 e 2013/14 apresentou um campeonato sénior com 13 equipas, não ter evoluído no sentido do maior número de equipas quer a nível sénior, quer de formação, acompanhando a tendência não só nacional, mas também internacional.

Estará em causa questões de falta de condições físicas (pavilhões) para que os clubes possam desenvolver a sua atividade? Falta de apoio por parte das autarquias ou dos privados para os clubes que enveredem pela modalidade? Será um problema de mentalidade/ego face ao futebol?

Cremos que de caso para caso, iremos encontrar um pouco destes três pontos que serviram de exemplos, outros poderiam ter sido levados em linha de conta, mas deixamos esses para que o leitor possa refletir.

A problemática para a temporada 2020/21 é ainda maior se tivermos em linha de conta que dos seis clubes filiados, um irá ascender ao campeonato nacional e o Ourique DC irá ao que tudo indica suspender a seção uma vez que irá participar a nível sénior no campeonato da 2ª Divisão Distrital.

Perante este cenário sobra nas contas para os campeonatos distritais AJ Brinches, CA Aldenovense, CB Castro Verde e GDC Baronia, que ao que tudo indica irão dar continuidade aos seus projetos, o que é claramente insuficiente para por um lado criar competitividade a nível interno e por outro para cativar atletas para a modalidade.

Nas últimas dez temporadas participaram no campeonato de futsal um total de 26 clubes, a saber NS Moura, GDC Baronia, Ourique DC, CA Aldenovense, CB Castro Verde, AJ Brinches, CF Vasco Gama/Associação GAMA, NS Leões Almodôvar, SC Ferreirense, CCD Bº Conceição, Despertar SC, ACD Luzerna, Barrancos FC, CD Beja, GDC Alcoforado, GDC Alvito, SA Almodovarense, IP Beja, AD Vila Nova de São Bento, CRAM “Os Leões”, Barrancos Futsal ADC, Vila Ruiva FC, GDCP Safara, CCD Alfundão, Associação Surdos Beja, SCM Aljustrelense, sendo ainda de realçar o CF Guadiana e o Operário FC que contam no seu histórico com conquistas de títulos no futsal.

Será que podemos ter algum destes clubes a reativar o futsal? Não sabemos, mas gostaríamos. Outros poderão avançar para a estreia nas provas? Seria muito bom. E ao nível da formação? Seria importante para o desenvolvimento da modalidade que a formação ganha-se um maior relevo, para que não só se conseguisse recrutar mais jogadores para esta modalidade apaixonante, bem como ajudaria a elevar o nível das equipas a nível distrital e quem sabe a médio prazo existirem condições para que quer os clubes quer os jogadores possam estar a competir ao mais alto nível.

Apesar de se termos centrado no futsal masculino, seria incorreto não dar destaque ao excelente trabalho que tem vindo a ser desenvolvido ao nível do futsal feminino, onde teremos o SC Ferreirense a disputar o acesso ao Campeonato da 2ª Divisão Nacional, contudo os problemas são os mesmos, na última temporada contamos com apenas três equipas, SC Ferreirense, SC Odemirense e GDC Baronia, que competiram no Interdistrital com Setúbal e Évora e aqui também é necessária uma ação para a cativação de atletas, para a aposta dos clubes no setor feminino e à semelhança do setor masculino apostar cada vez mais na formação.

Gonçalo Caeiro